A Ordem régia de 14 de Julho de 1758 determinava que, no lugar dos antigos aldeamentos indígenas sob os cuidados de missionários, fossem erguidas vilas e vigarias de índios, sob a administração de padres seculares. Nessa mesma ordem, estabeleceu- se o povoamento de Monte-mor, o velho, da América, para abrigar os remanescentes da etnia Paiacu. Em 1865 foi construída, pelos caboclos remanescentes dos paiacus, uma igreja simples, atual Igreja Mãe, em torno da qual se estruturou um núcleo urbano que veio a ser o município de Pacajus. Existem documentos locais que levam a imaginar que os indígenas situados em tais territórios sofriam maus-tratos ou abusos por parte de seus empregadores que, em muitas situações, pretendiam escravizá-los. Segundo a historiadora Valdelice Carneiro Girão, em 1762 os indígenas remanescentes foram transferidos para a Vila de Porto Alegre, no Rio Grande do Norte, retornando no ano de 1767 para a vila de Monte-mor, o novo, da América. Apesar das transferências, documentos de períodos posteriores revelam a presença desses indígenas nas terras de Monte-mor, o velho. Em 1836 a freguesia de Monte-Mor, o velho, foi extinta e passou a pertencer a Aquiraz. Ao longo de todo o século XIX, estiveram a guns Paiaku residindo nas terras de Monte-mor, o velho, embora as autoricades provinciais negassem a presença desses indivíduos, atitude recorrente em todo o Brasil nessa época.
O caso da Igreja Mãe, cuja primeira construção — tinha como objetivo arrebanhar sobre seu domínio os índios Pajacus, nação belicosa que contrariava os interesses dos colonizadores. Com o passar do tempo e o dinamismo da própria história, esses prédios passam a sofrer interferências e dessas resultam tanto modificações físicas (na estrutura do prédio) como no próprio sentido social da construção. Nossa igreja, de acordo com o arquiteto responsável pela última reforma José Américo Girão Filho, passou por pelo menos cinco momentos importantes que resultaram em grandes transformações: A primeira edificação, feita em taipa pelos índios do a aldeamento, segundo relatos, foi construída onde hoje é a casa do Sr. Caros Alberto vizinho à Igreja Mãe. A construção era coberta de telha somente na parte do altar e o restante, de palha A atual Igreja Mãe foi construída pelos caboclos no tempo dos jesuítas, na Administração do Pe. Sales(essa era uma história contada pelo pai do Sr. Vital Esmero, o Sr. Manoel Esmero). Por volta do Séc. XIX, ela foi reconstruída, tendo como modelo a arquitetura barroca, imitando as igrejas mineiras, com toda a riqueza de detalhes que caracterizam esse movimento artístico e com o piso de tijolo típico das igrejas de sua época e estilo. No início do Séc. XX, com a chegada do Pe. Eduardo Araripe e com este encontrando a igreja bastante depredada, ele resolve fazer uma reforma utilizando como modelo a igreja de Aquiraz. Como fruto do seu tempo, não se preocupou em manter a arquitetura original, promovendo. uma modificação profunda na estrutura da igreja. No ano de 84, o então prefeito José Wilson, com a colaboração do Frei Daniel, promoveu uma nova reforma, sem a devida orientação necessária, não levando em conta a estrutura anterior, utilizando cores fortes, como o azul e principalmente o vermelho, substituindo o piso de mosaico, do início do século, por cerâmica, tanto na nave central da igreja como no altar-mor, adornando com vários desenhos que representavam anjos, descaracterizando-a ainda mais. Quando da passagem do Pe. Bosco por nossa paróquia, em fevereiro de 1994, sentindo-se muito incomodado com as cores fortes presentes nas colunas e no altar-mor, pois no restante dela a cor era amarela, mandou dar uma pintura cobrindo parte destas cores. Pe. Airton Lima iniciou, em 1996, com a ajuda de D. Socorro Almeida e o Sr. Francisco de Almeida Lino Filho (Chicão), a construção de dois banheiros e armários nos fundos da Igreja Mãe, deixando-a com a instalação hidráulica pronta. Em agosto de 2001, chegou a nossa paróquia o Pe. Reginaldo Guimarães Lima. Segundo palavras dele, —fiquei enamorado pela nossa igreja velha. Sua primeira providência foi concluir os banheiros e armários da referida igreja, fato que ocorreu entre novembro de 2001 e fevereiro de 2002. Com a colaboração de toda a comunidade, merecendo um destaque especial a participação dos moradores da Rua Grande (Rua Cícero Nogueira), foi nascendo o desejo de reformá-la e, se possível, até restaurá-la. Sonho que começou a realizar-se com o empenho de todos os paroquianos e, um pouco depois, da Prefeitura Municipal. A reforma começou em 20 de outubro de 2003 e foi concluída em 25 de junho de 2004.



Secretaria Paroquial
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